Projeções Nominais Ou em Moeda Constante

Outro dia, eu estava diante de uma platéia de 45 pessoas, apresentando um modelo de avaliação de uma Pequena Central Hidroelétrica (“PCH”). Minhas projeções eram em moeda constante, ou seja, pressupunham que custos e receitas seriam reajustados, no longo prazo, por índices de preços que manteriam sua relação constante. Trata-se de uma premissa muito forte, e parte da platéia reclamou. Com razão! É só olhar as séries históricas dos principais índices de preços no Brasil para constatar que eles seguem trajetórias repletas de flutuações.

Por exemplo, a média do IGPM em 2002 foi de 25,3% enquanto que a média da TJLP foi de 9,9%. Em 2003, o IGPM registrou média de 8,7% e a TJLP de 11,5%.

Mas, o que fazer diante destas curvas históricas dos índices de preço? Como projetá-las? Como se proteger de possíveis “descasamentos” entre os índices que corrigem nossas receitas daqueles que corrigem nossos custos? Há instrumentos de hedge disponíveis para estes índices (e com prazo longo)?

Na minha prática, insisto em optar por projeções em moeda constante. Não por ignorar os possíveis efeitos dos “descasamentos” entre índices de preços, mas para ressaltar os impactos de outras variáveis que me parecem mais prementes. Por exemplo, neste modelo que apresentei da PCH, no cenário base, a Taxa Interna de Retorno (TIR) do projeto era de 14% em moeda constante. Se o custo da obra aumentasse em 50% e o início da operação atrasasse um ano (por um atraso na liberação da licença ambiental, por exemplo), a TIR do projeto seria reduzida para 8%, possivelmente destruindo todo o valor da PCH para seus acionistas.

Quem já esteve próximo de projetos sabem que um sobrecusto de 50% no custo da obra e um atraso de um ano na licença ambiental não são difíceis de acontecer.

Agora, ao contrário dos descasamentos de índices, é possível minimizar os riscos de sobrecusto no investimento e no impacto do atraso da licença…

O que você prefere: projeções em moeda nominal ou em moeda constante? Por que?

Um abraço,

Eduardo Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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