Distorções no preço da energia elétrica no Brasil

A questão da formação do preço da energia elétrica no Brasil é complexa e gera muitas distorções. O pessoal do setor elétrico ironiza: “o preço da energia elétrica é como um varal sem fim, onde se pendura uma série de encargos e contribuições. E a corda não arrebenta…”. Nos mercados regulados de energia (que responde pela maior parte da oferta), o preço é formado com base nos custos médios de geração do país todo, incluindo fontes relativamente baratas (como a de grandes hidroelétricas, com custos abaixo de R$ 100 / MWh) e caras, como a termelétrica (R$ 490 a R$ 800 / MWh). Além do custo de geração, o preço inclui uma série de encargos e contribuições, incluindo a CCC (Conta Consumo de Combustível) que deverá aumentar muito com os crescentes despachos das termelétricas. Resultado: hoje, o preço da eletricidade e do gás natural para a indústria no Brasil é o dobro do EUA (fonte: ABRACE).

Além de afetar a competitividade da indústria eletro-intensiva brasileira, a volatilidade dos preços da energia pode ter um impacto importante no Patrimônio Líquido destes empresas. A volatilidade dos preços afeta o valor presente dos investimentos destas empresas, que pelas novas regras contábeis (teste de impairment), devem ajustar o valor destes ativos, reduzindo o seu patrimônio líquido. Reduções no Patrimônio Líquido podem afetar a financiabilidade destas empresas, uma vez que muitos contratos de empréstimos exigem limites máximos entre o total do endividamento e do Patrimônio Líquido.

Além disso, com preços voláteis deste importante insumo, os riscos de  se investir em projetos eletro-intensivos aumenta, reduzindo sua atratividade. Ou seja, é importante se aprimorar a metodologia de formação de preços de um insumo tão importante para a competitividade da indústria e o bem estar da população. Hoje, os preços da energia não refletem a relação entre oferta e demanda, como em outros mercados. Podemos estar pagando caro pela energia em épocas de abundância de chuvas, sem a garantia de que não pagaremos ainda mais caro em épocas de seca…

O que você acha?

Um abraço,

Eduardo Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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