A Importância do Reconhecimento Pessoal

Hoje, pela manhã, li o artigo de Mario Vargas Llosa sobre os 14 minutos de sua vida entre o telefonema que lhe informou que fora agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura e a veiculação oficial da notícia na TV. O artigo, publicado no Estado de São Paulo (página D12), me emocionou a ponto de eu me surpreender comigo mesmo. Ao contar do artigo para minha esposa, veio um nó na garganta, uma emoção forte. Por que?

Penso o quão importante é o reconhecimento para as nossas vidas. O artigo de Llosa é sobre o reconhecimento, a gratidão, a influência das pessoas em nossas vidas. Llosa agradece tanto  às pessoas que lhe apoiaram como aos seus críticos. Sim, os críticos também. Os críticos mexem conosco, nos fazem pensar, nos revoltam e ao fazê-lo podem nos ajudar à mudar. E como é difícil mudar!

O peruano Llosa recebeu o maior prêmio de literatura do mundo, por sua obra, seu percurso de 52 anos. Mas, quantos escritores brilhantes não receberam este prêmio e nunca receberão? E não se trata do dinheiro do prêmio (US$ 1,5 milhões), pois tenho certeza que o Paulo Coelho já ganhou muito mais, mas deve sonhar com o Nobel.

Enfim, o que tem essa discussão a ver com o valor das empresas? Muito. Nas pesquisas de clima organizacional que participei ou conheci seus resultados, uma queixa é comum: a falta de reconhecimento por parte da empresa e seus executivos ao trabalho de seus colaboradores. Não se trata de um pleito por maiores salários. As vezes, é a falta de um simples bom dia para a “moça do café”. Outras vezes, a empresa promove um clima tão competitivo e personalista entre seus funcionários que mesmo que alguém faça algo de extraordinários, o reconhecimento não acontece.

Não é só o reconhecimento por um trabalho bem feito. É também o reconhecimento das dificuldades de cada um e como a empresa pode ajudar. Lembro-me de ouvir uma reportagem sobre uma empresa que tinha ganhos crescentes de produtividade em seu capital humano. Como? A empresa fazia freqüentes pesquisas de satisfação (o que não é incomum), e agia sobre seus resultados (muito incomum). Os funcionários apontavam para algo que podia ser melhorado e a empresa fazia acontecer. Ou seja, a empresa OUVIA seus funcionários. Ouvia e FAZIA. APRENDIA com eles, pois os funcionários são um valioso pilar (se não o mais valioso) de uma empresa.

Enfim, antes de terminar este post é preciso fazer uma ressalva. A questão do clima organizacional é altamente complexa, e o reconhecimento é uma de suas importantes facetas, mas não a única.

Para terminar, cito a frase de José Saramago após ter ganho o prêmio Nobel de literatura: “sim, ganhei o maior prêmio de literatura do mundo. E o que?” Ou seja, penso que buscamos e valorizamos tanto o reconhecimento, mas ao conquistá-lo, o que fazer com isso?

E você, se sente reconhecido em seu trabalho? Como você gostaria que sua empresa o reconhecesse?

Um abraço,

Eduardo Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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