Tendências do Risco Brasil

Em 6/12/10, estive no seminário “Risco Brasil” patrocinado pela FGV e pela agência de risco Standard & Poors (S&P). Do ponto de vista macro, as idéias mais interessantes que ouvi foram:

(1) Câmbio: “Não há economia forte, sem moeda forte”. Portanto, devemos nos preparar, pois o câmbio deverá continuar se valorizando. As medidas regulatórias do governo neste campo são pouco eficazes. A saída é aumentar a competitividade brasileira em outras frentes: racionalização dos tributos; investimentos em infraestrutura; redução do custo de capital no Brasil.

(2) Juros: Henrique Meirelles fez uma apresentação cujo principal recado, em minha opinião, é que o BACEN sustentará uma política anti-cíclica. Ou seja, em épocas de bonança, como a que vivemos, o BACEN imporá restrições ao crédito para evitar “desastres”.

(3) Competitividade da indústria brasileira: segundo o CEO da Suzano, o que mais preocupa na China não é o custo baixo de sua MDO, mas o seu reduzido custo de capital. E contra isso, o que o Brasil pode fazer? Além disso, a estrutura tributária na China é muito simples e racional. Enquanto que no Brasil, há quem defenda a CPMF!

(4) Risco Brasil: o que pode dar errado que encerre nossa “festa”? O clima geral do seminário era de otimismo. Mas, houve mensagens preocupantes, sobretudo no que tange a nossa infraestrutura. Estamos no limite. Investimos 1/3 do que outros BRICs. O BNDES é o único financiador de longo prazo. Nos últimos anos, tem financiado cerce de R$ 100 B por ano. Precisamos de R$ 900 B a R$ 1 trilhão. Quem vai financiar a diferença? A que custo e por qual prazo?

(5) Energia: desde meu post em 4/10 (https://eduardoluzio.wordpress.com/2010/10/04/teremos-um-novo-apagao/) venho externando minhas preocupações sobre a oferta e o custo da energia no Brasil. As necessidades de investimento são enormes e há muitas variáveis obscuras que afetam o retorno aos investidores: instabilidade regulatória (em sua última revisão tarifária da distribuição, a ANEEL mudou a metodologia de cálculo do custo de capital); riscos jurídicos (interferências do TCU e MP); e riscos ambientais. Neste último, o CEO da Neoenergia apresentou uma tabela muito interessante, da qual eu destaco um item: o prazo oficial para emissão de uma licença prévia ambiental é de 365 dias, mas na prática, a média tem sido 1.188 dias.

Ou seja, há muita lição de casa pela frente. O que mais lhe preocupa no futuro próximo que possa ameaçar nosso crescimento e estabilidade econômica?

Um  abraço,

Eduardo Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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