Estudo de Caso: Mocotó

Neste último sábado, almocei no “boteco” Mocotó, que ganhou o prêmio de melhor boteco de São Paulo e tem merecido artigos na mídia nacional e internacional (Financial Times, El País, Food&Wine). Ganhou o prêmio de melhor “bom e barato” da Veja em 2009/09 e do Guia da Folha. Fiquei impressionado: em um mercado ultra competitivo, como um “boteco” na Vila Medeiros, longe do triângulo Jardins-Itaim-Vila Madalena, que nem toalha usa em suas mesas, consegue atrair tanta atenção? E mais: para evitar listas de espera de até duas horas, deve-se chegar até o meio dia.

Por forte indicação da chef Ana Luiza Trajano (Brasil à Gosto), fui ao Mocotó acompanhado de um grande amigo, gourmet experiente e muito exigente, e de minha esposa (não menos exigente). Ficamos maravilhados com a qualidade da comida, o atendimento e o ambiente, simples, mas aconchegante. Serve-se pratos típicos da cozinha nordestina com “toques” de sofisticação. Como a carne de sol com alho cozido e pimenta biquinho. O excelente torresminho de porco muito carnudo. Queijo coalho com melaço de cana. Tapioca com queijo coalho e molho tailandês. Simplesmente deliciosos. O melhor: o Mocotó oferece porções “minis” (algumas por R$ 6,90), o que nos permitiu degustar vários de seus pratos com uma vontade de voltar para terminar a deliciosa tarefa de conhecer todo o cardápio.

O Mocotó foi fundado por José Oliveira de Almeida, pernambucano que migrou para SP em 1963. Em 1974, abriu um bar na Vila Medeiros, onde começou a vender seu famoso caldo de mocotó. “Hoje, mesmo após 33 anos no ramo, o “Seu Zé Almeida” continua indo diáriamente ao Mocotó, atende clientes, lava pratos, orienta os cozinheiros e cria novas receitas. Ele é conhecido por seu coração de ouro, sempre pensando nos outros antes de si mesmo. Não se deixa levar por luxo ou dinheiro, tem como lema de vida a simplicidade e a humildade. Vê-se isso no Mocotó: simplicidade na decoração, no cardápio e humildade no atendimento e nos preços”.

No site (www.mocoto.com.br) lê-se sobre sua “nova” fase: “no comando do restaurante há 5 anos, Rodrigo Oliveira, paulistano de 28 anos, é o responsável pelo novo momento do Mocotó. Filho de Seu Zé Almeida, começou cedo na vida do comércio e aos 13 anos já ajudava no armazém do pai. Lavou pratos, limpou banheiros, atendeu mesas, fez serviços de manutenção e tudo o mais que se pode fazer num restaurante”. Ou seja, parece que seu Zé e seu filho mantiveram o que tinham de melhor, com o toque pertinente de bom gosto do jovem. E o que há de melhor no Mocotó? Consistência. Qualidade e preço. Simplicidade com bom gosto. Para mim, o Mocotó é um caso de empresa familiar bem sucedida com uma sucessão feliz.

Minha primeira visita ao Mocotó me remeteu imediatamente a frase de  Da Vinci: “Simplicidade é a sofisticação definitiva.”

Se você puder e quiser, vá ao Mocotó e compartilhe sua opinião conosco.

Um abraço,

Eduardo Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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