127 horas: Da Tragédia à Re-invenção

É meia noite e acabo de assistir ao filme “127 horas”, baseado na história real do acidente que quase matou o esportista norte-americano, Aron Ralston. O filme é muito angustiante, mas me convocou a importantes reflexões em vários aspectos: pessoais; profissionais; e empresariais.

(veja o trailer: )

No início do filme, Aron era do tipo “iron man“. Um atleta destemido, aventureiro e muito prepotente. Se considerava auto suficiente e implacável. Parte para uma viagem solitária a um canion longínquo e desértico com pouco preparo e não avisa ninguém de seus planos.De repente, um escorregão. Uma queda. Aron se vê num buraco, com o braço direito preso a uma pesada e maciça pedra.

Cartesiano, Aron se controla. Planeja e executa várias alternativas para livrar-se da pedra. Inova. Faz drásticas economias de recursos (água e comida). Mas, tudo sem sucesso. Aos poucos, Aron se dá conta que a pedra o esperava há anos. Sem limites, prepotente, egoísta, a pedra era o desafio mortal, talvez o ponto final na sua vida. Em agonia, Aron se lembrou das boas pessoas que cruzaram seu caminho e que ele não soube cativar. Em sua autocrítica, percebeu seus erros e teve saudades daqueles que deveria ter valorizado e não o fez. Aron entendeu que teve a pedra que merecia.

Com o tempo, comida e a água se esgotando, Aron vê a morte próxima e toma atitudes impensáveis. E é o impensável que lhe salva a vida. Ao se salvar, Aron se reinventa, sem abandonar sua vocação. Não falarei mais nada para não estragar o prazer daqueles que ainda não viram o filme.

O filme me fez pensar nas “pedras” que surgiram na minha vida e de pessoas próximas. Lembrei daqueles que não dei o devido valor, dos cuidados que não tomei por prepotência, das reflexões dolorosas que evitei. Me dei conta que as “pedras” que surgem nas nossas vidas podem nos aniquilar ou nos salvar de nós mesmos. Quando paro para pensar, percebo que os sinais da “eminência da pedra” não são poucos. O difícil é ter a coragem e energia para encara-los e mudar comportamentos, crenças, valores e a própria auto imagem. É muito fácil protelar. Temos muitas opções para nos distrair do que é essencial. É no buraco, na solidão e na ausência de alternativas que somos convocados a encarar e fazer o impensável para poder viver.

O filme me fez refletir além de minha própria vida pessoal e profissional. Me pergunto: e as empresas, como elas lidam com as “pedras”? Independente do mercado e país de atuação, do porte, as empresas também encontram suas merecidas “pedras”. Afinal, estudos mostraram que:

  • A vida média das 500 maiores empresas do mundo é de 45 anos;
  • A vida média das empresas japonesas e européias, independente do tamanho, é de 12 anos;
  • 27% das empresas paulistas encerram suas atividades no 1º ano de operação e 62% não completam o 5º ano de vida.

Diante dos sinais internos e externos de que a queda pode acontecer e a empresa pode não ter saída, como reagem seus executivos e acionistas: com prepotência ou ponderação? Com coragem para enfrentar o desagradável ou com procrastinação? Com egoísmo ou humildade?

Diante da eminência da “morte” da empresa, executivos e acionistas têm disposição para fazer o impensável para garantir a sobrevivência da empresa? O impensável vir na forma de corte drástico de bônus, altos salários, dividendos, benefícios, venda de partes importantes da empresa, aporte de capital,  etc. Afinal, apesar de algumas empresas “morrerem”,  a lei e as políticas públicas, por vezes, protegem as pessoas físicas dos acionistas e/ou executivos de suas “mortes”. Vide os prejuízos trilhonários e o desemprego causados pela recente crise do sub-prime nos EUA que ainda não levaram ninguém para a cadeia.

Enfim, recomendo o filme e convido aqueles com disposição a compartilhar suas impressões sobre a “pedra”.

Um abraço,

Eduardo Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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