Bola de Cristal, o Possível e o Razoável: Desafios da Avaliação de Empresas

“Si non e vero, e ben trovato”

Ditado italiano.

 

Desafios. Avaliar uma empresa é contar uma estória. É um exercício de ficção. Mas, não é qualquer ficção, mas sim uma perspectiva sensata sobre o futuro não só da empresa, mas da concorrência, da macroeconomia, e todos as variáveis que podem afetar a rentabilidade da empresa. Isso é um fato.

Bola de Cristal. É fato também que não temos uma bola de cristal, e se tivéssemos estaríamos, provavelmente, investindo nosso tempo em comprar bilhetes de loterias. Portanto, estamos todos nas mesma condições: a decisão de investir em uma empresa é uma aposta no futuro. Futuro este que podemos “estimar” baseados nas melhores informações que possuímos hoje.

O Possível. O desafio de se avaliar uma empresa é, no mínimo, triplo: usar as melhores informações disponíveis hoje; utilizar corretamente a melhor metodologia que dispomos; e analisar os resultados da metodologia a fim de estimar riscos e rentabilidades possíveis da empresa, mas incertos. Mas, não é só isso…

Subjetividade. Semestre passado, na última aula do curso de Avaliação de Empresas (Valuation) que ministro na FGV-EESP, perguntei aos alunos o que eles achavam do método do fluxo de caixa descontado (FDC) para estimar o valor de empresas. Uma queixa comum entre as respostas que obtive foi: “subjetividade”. Muitos alunos responderam que achavam que as premissas que construímos para estimar o valor através do FDC eram muito subjetivas. E são. Mas, não há alternativas. Ninguém compra ou vende uma empresa pelo o que ela foi ou o que ela possui hoje, mas pelo que a empresa pode gerar no futuro. O passado e o presente são importantes como base para se pensar em futuros possíveis, mas não há garantias sobre o futuro das empresas.

Multiplicidade. “Se o futuro que importa e o futuro é uma opinião subjetiva, então é possível uma mesma empresa ter vários valores?,” me perguntou um cliente, recentemente. Sim, respondi! Dependendo de quem, de onde, quando e de como se avalia uma empresa, há várias possíveis estimativas de valor. “Qual é a certa?” A “certa” não existe agora, só depois, quando o futuro não é mais futuro e sim passado. Não conseguimos escapar da “aposta”.

Crenças. No contexto de avaliações de empresas para Fusões & Aquisições, há um outro grande desafio: as crenças dos empresários envolvidos. Ouso dizer que este é o principal desafio.

A Paixão e o Razoável. Não é incomum haver expectativas errôneas, e por vezes, ingênuas do valor da empresa e/ou do empreendimento. Um empreendedor com quem conversei me disse: “busco um investidor apaixonado! Que entenda do meu negócio, acredite no seu retorno e não precise de muitas explicações”. Ideia maravilhosa na teoria, mas na prática… A prática demonstra que investidores querem sim ter “explicações” detalhadas sobre o empreendimento, seus líderes, riscos e expectativa de retorno. Nada mais justo e sensato. Podem haver “investidores apaixonados”, mas estes são raros.

Poder. Outro empresário me disse que procura investidores, mas não quer dividir o controle, o poder decisório. É possível? Sim, mas é mais difícil. Como o valor esta no futuro, geralmente os investidores querem e precisam ter alguma ingerência na construção do futuro da empresa e no seu dia-a-dia. Não ter acesso ao poder decisório implica maior risco ao investidor, e quanto maior o risco, menor a percepção de valor da empresa.

Em suma, avaliar uma empresa é contar uma estória possível, sensata, explicada com detalhes. Como se diz em italiano: “Si non e vero, e ben trovato”.

Enfim, estes são alguns dos desafios de se avaliar uma empresa. Estarei discutindo estes tópicos e tantos outros no curso “Fusões & Aquisições em Ato” nos dias 19 e 20 de outubro em São Paulo. Para maiores informações, favor clicar em:

http://www.gerovalor.com.br/index.php?menuPage=curso/home.

Um abraço,

Eduardo Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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