Honestidade e Verdade no Ambiente Corporativo

Hoje no jornal Valor Econômico (página D10) foi publicado um artigo da Lucy Kellaway sobre a reação da ex-CEO do Yahoo – Carol Bartz ao ser demitida por telefone. Neste artigo a colunista reafirma quatro preconceitos que possui e acrescenta um quinto a sua lista. São eles:

  • “nunca confie em ninguém que usa a frase “seguir em frente””;
  • “mulheres líderes podem ser tão agressivas e desbocadas quanto os homens”;
  • “honestidade pode ser uma estratégia ruim, especialmente no trabalho’;
  • “sou totalmente a favor dos palavrões no trabalho, mas apenas nas circunstâncias certas”;
  • “a demissão por telefone pode não ser má ideia, afinal de contas”.

Enquanto lia o artigo um certo incomodo foi surgindo, talvez porque esses preconceitos reafirmados vão de encontro com atitudes que nem sempre me são favoráveis, principalmente o terceiro.

“Honestidade pode ser uma estratégia ruim, especialmente no trabalho”. Como pode a honestidade ser ruim? E por que principalmente no trabalho? Esse preconceito quase me fez parar a leitura no meio, porém parar algo no meio me é mais desconfortável do que continuar e terminar o que está causando o incomodo. Assim e ainda bem, continuei a leitura.

“Honestidade” para Lucy é dizer o que se pensa e ai concordamos plenamente. Existem verdades que não são para serem ditas e por muitas razões. É preciso sempre questionar e ponderar o porque de dizer algo, qual sua utilidade, quais os efeitos e implicações desse pensamento transformado em fala.

As empresas almejam construir um ambiente equilibrado tendo a eficiência como foco. É preciso que seus executivos saibam o que dizer, como dizer e quando dizer algo a sua equipe. Assim como a equipe precisa ouvir, pensar e elaborar a informação que está recebendo antes de sair concordando ou descordando. Muitos chamam isso de “inteligência emocional” eu prefiro chamar de atitude de sobrevivência.

Essa atitude inclusive ultrapassa os muros da organização, afinal quem gosta de ter ao lado aquela pessoa extremamente honesta e que diz exatamente tudo que pensa? Antes de sairmos falando e tornando pública nossas opiniões é preciso lembrar que os outros pontos de vista são tão verdadeiros e corretos como os nossos e que tudo depende do ângulo que olhamos.

A verdade não é acessível, justamente porque não é única. O que a sustenta é nossa imensa vontade de encontrá-la, de termos respostas e de estarmos certos. São de meias verdades que construímos e sustentamos nossa relação com os outros e com a empresa em que trabalhamos.

Um abraço,

Juliana Meyer Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

4 Respostas to “Honestidade e Verdade no Ambiente Corporativo”

  1. oi Ju , tudo bem ? Mto oportuno e realista seu post . Gostei muito da definiçao “Atitude para Sobrevivencia ” pq retrata exatamente o cotidiano das empresas e corporaçoes . Vejo muitos que afirmam usar a chamada “inteligencia emocional ” para apenas dominarem e nunca cooperarem .
    Parabens , um abraço a vc e ao Eduardo

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    • Oi!! Tudo bem e vocês?
      Sabe que pensar e vivenciar o dia-a-dia de uma empresa ocupando um lugar de gestão tem me despertado muito interesse e várias questões, sobre o que fazer para minimizar os conflitos existentes entre lideres e equipe.
      Por isso resolvi começar a compartilhar o que tenho pensado, pra dialogar com outras pessoas interessadas nesse tema e quem sabe construir saídas mais saudáveis tanto pra empresa como para os funcionários uma vez que o adoecimento e as licenças médicas só se faz aumentar.
      Por isso agradeço muito seu comentário e espero poder te encontrar mais vezes por aqui. Abraços.

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  2. Muito interessante seu ponto de vista sobre a meia verdade. Um abraço pra você também.

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    • Oi Marcia!!
      Primeiro quero dizer que adorei receber um comentário seu e que sinto saudades.
      E quanto a meia verdade, você já reparou como nos mascaramos no início de qualquer relação? O quanto nos perguntamos se será que seremos aprovadas/aceitas se falarmos tal coisa ou agirmos de tal maneira? O que será que vão pensar de mim se souberem que gosto disse e não daquilo? Enfim, são várias perguntas e dúvidas que modelam nossa maneira de ser. Abraços.

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