As Duas Vias do Reconhecimento: Invictus

Na semana passada assisti pela segunda vez o filme Invictus do diretor Clint Eastwood. Lembro-me de quando o assisti no cinema e de como fui tomada pela emoção e entusiasmo dos personagens nos últimos minutos. Fiquei com vontade de gritar GOOOOOLLLLLL cada vez que o time da África do Sul pontuava. Sai do cinema dizendo que torceria pra África na próxima copa, que nem ligaria pro Brasil, todavia o tempo passa e claro que sempre torcerei pelo Brasil.

Mas ao reassisti-lo percebi o quanto esse filme ilustra o papel de um líder, a importância do reconhecimento e de como uma equipe precisa acreditar no que faz e precisa perceber a importância dos resultados de seu trabalho.

Temos no primeiro momento do filme um time, o da África do Sul, jogando super mal e sendo totalmente desacreditado pela mídia e torcedores. Seu capitão preocupa-se com a possibilidade de perder o emprego e pouco faz com sua equipe além de exigir o fim das derrotas. E aqui já nos deparamos com uma questão: será que havia um time ali? Ou apenas alguns profissionais do rúgbi trabalhando por um salário?

Muito além de uma contratação eficaz é preciso construir um laço entre a equipe, é preciso que além de saber fazer a sua parte cada membro dessa equipe aposte no produto final. Não basta que cada jogador saiba de sua posição e de como fazer, é fundamental que ele conheça os outros integrantes da equipe, que saiba o que cada um faz de melhor, que confie em cada um deles, para que possa dar o passe, pra que possa entregar ao outro a possibilidade de fazer gol, pois trata-se da vitória do time e não de apenas um.

É preciso que cada líder conheça sua equipe, quem são as pessoas que o cercam por 40 horas semanais. Do que gostam, o que fazem, em que acreditam, o que esperam e no que querem para o futuro. Não adianta investir na ascensão de um funcionário se este funcionário, não quer nada além do que ser um assistente ou uma recepcionista. As vezes o que nos parece pouco, para outros é o suficiente. E toda empresa precisa daqueles que querem os cargos superiores e daqueles que não querem. Não é errado não querer ser um CEO. Mas cabe ao líder reconhecer isso em cada funcionário e não exigir que ele suba um degrau além do que ele quer subir.

Acredito que o que diferencia uma equipe – um time, de alguns profissionais trabalhando num projeto é o laço construído entre cada um e a empresa. E esse laço começa a ser tecido por aquele que ocupa a posição de líder, cabe ao líder conhecer sua equipe e elaborar estratégias condizentes a ela. Cabe ao líder confiar nessa equipe e transmitir essa confiança não só a ela, mas as outras pessoas também.  Mas, não cabe só ao líder a imagem dessa equipe, isso cabe a toda equipe.

Outro fator determinante no desempenho de uma equipe é o reconhecimento. E quando digo reconhecimento, não o situo apenas âmbito do líder para o funcionário, mas também do funcionário para o líder e a tarefa a ser executada.

Reconhecer, pra mim é conhecer de novo, é sempre olhar e afirmar aquilo que já sei. Quando um líder reconhece seu funcionário ele reafirma sua aposta nesse funcionário, ele diz novamente o quanto confia no trabalho dessa pessoa.

Quando o funcionário reconhece seu líder ele afirma de novo o quanto confia na direção escolhida pelo seu líder. E quando ambos, funcionários e líder, reconhecem o trabalho a ser realizado e a empresa, eles reavaliam suas escolhas de tornarem-se integrantes dessa equipe e decidem se continuam com essa afirmação, decidem se reconhecem esse trabalho como pertencente a sua vida, a sua história e as suas expectativas.

Desta maneira, estamos sempre reconhecendo aqueles que nos cercam bem como esperamos e queremos sempre ser reconhecidos, pois ser reconhecido nos devolve um olhar de confiança, um sentimento de capacidade que nos dá força e vontade de realizar.

Pare e pense: quando você deixou de realizar uma tarefa ou o que quer que seja, para alguém que você sentia que te reconhecia?

Esse foi o segundo momento do filme, após o chá com o presidente Nelson Mandela o capitão disse que achava que o presidente queria que eles vencessem a copa e a partir dai o laço entre capitão, time, presidente e nação foi sendo tecido. O presidente reconheceu o capitão e sua equipe, a nação reconheceu o time africano e o time reconheceu sua nação.

Claro que esse filme retrata anos de racismos e outras questões políticas, mas o que quis discutir aqui é o quanto o olhar, a atenção e a confiança são determinantes na construção de uma equipe, de um líder e de um empreendimento.

Um abraço

Juliana Meyer Luzio

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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