Estratégias para Empresas Sobreviverem à Crise

Prezados, hoje foi publicado meu artigo na revista da FEA-USP http://www.fea.usp.br/noticias.php?i=1323

Como há uma restrição no tamanho do artigo, tive de resumí-lo. A versão integral do texto esta aqui:

Como uma empresa pode sobrevier a crise?

As perspectivas para 2015/16 são desafiadoras. Já temos um triste recorde: 3,6 milhões de empresas estão inadimplentes com suas dívidas e isto equivale a metade das 7 milhões de empresas operacionais do país[1]!

Do total de inadimplentes, 91% são Pequena e Médias Empresas (PME), com receitas inferiores a R$ 50 milhões por ano. Segundo o Sebrae/Dieese, as PMEs respondem por 52% dos empregos formais. Ou seja, o desemprego vai aumentar, criando um ciclo vicioso que pode levar alguns anos para se reverter.

Como as empresas podem sobreviver a esta crise?

Com reservas em dinheiro. Sim, dinheiro é o ativo mais estratégico que uma empresa pode ter, especialmente em épocas de crise. O dinheiro paga dívidas e suporta gastos e investimentos necessários.

Mas, como acumular estas reservas se a economia já esta em crise?

Recomendo 9 ações:

(1) Revisar Estratégia. Reflita e responda 3 perguntas[2] : quais clientes a empresa deve focar? Que produtos e serviços devem ser oferecidos? Como a empresa deve atende-los? Essa reflexão ajudará a empresa a definir prioridades e identificar redundâncias. Deixe o ego para fora e não tenha medo de fazer escolhas difíceis.

(2) Preservar Clientes. A empresa deve identificar seus principais clientes e se assegurar que estão sendo bem atendidos para não perde-los. Especialmente se há concentração das receitas em algum específico. Faça descontos, aumente o nível de serviços, agregue valor ao seu cliente antes que ele decida te “cortar”, ou o troque por um concorrente.

(3) Minimizar Custos. Analise seus principais custos e classifique-os entre fixos (aqueles que não variam com o tamanho de sua receita) e variáveis, operacionais e não operacionais. Dentre os custos fixos operacionais mais importantes, geralmente estão alugueis (incluindo condomínios e IPTU), folha de pagamento (salários e benefícios) e serviços públicos (energia, telefonia, internet). Agora é hora de demitir todos os funcionários improdutivos, renegociar alugueis e os serviços de comunicação, especialmente celulares e internet. Os custos variáveis também devem ser revisados e alternativas para diminuí-los devem ser identificadas, como por exemplo, novos fornecedores. E os custos não operacionais (ex. festas, viagens, almoços caros,…)? Acabe com eles!

(4) Otimizar Estoques. Se há estoques acumulados ou “encalhados”, faça liquidações, pois estoque parado é dinheiro parado. Só mantenha em estoque itens de alto giro e boa margem.

(5) Reduzir o Contas a Receber. Se há contas a receber atrasadas, negocie descontos, absorva perdas e transforme um “papagaio” em dinheiro. Para novas vendas, prefira dar descontos para pagamentos à vista do que receber à prazo.

(6) Evitar Dívidas Bancárias. Em crise, é melhor negociar mais prazo para pagar seus fornecedores (eles também não vão querer perder um cliente), crescer menos, mas evitar se endividar em bancos.

(7) Adiar Investimentos. Mantenha somente os investimentos que forem essenciais e/ou aqueles cujo alto retorno seja iminente. Venda ativos (móveis, máquinas, terrenos,…) não essenciais que não estejam sendo usados.

(8) Elaborar Orçamento Bienal. Reúna os principais executivos para pensar cada produto, cada linha de receitas, despesas e investimentos. Projete o fluxo de caixa da empresa para 2015/16. Seja conservador e exija o comprometimento de todos os envolvidos. Defina responsabilidades e compare mensalmente os resultados reais com aqueles orçados. Identifique os problemas externos e internos que possam ter causado discrepâncias. Se as discrepâncias forem significativas e persistentes por mais de um trimestre, reveja todas as 7 ações descritas anteriormente.

(9) Alinhar os Sócios. Convoque seus sócios e explique suas ações de (1) a (8) e as justifique. Em épocas de crise os sócios precisam estar muito alinhados pois precisarão se unir para ajudar a empresa com novos aportes e/ou com redução de dividendos e pró-labores. Isso pode implicar em rever suas despesas pessoais. Pode implicar também em afastar sócios desalinhados.

A economia pode estar parando, mas é hora de trabalhar mais!

Sucesso!

[1] Fonte: Serasa. http://noticias.serasaexperian.com.br/bate-recorde-o-numero-de-empresas-inadimplentes-revela-estudo-inedito-da-serasa-experian/

[2] MARKIDES, C., All the Right Moves. Boston: Harvard Business School Press, 2000.

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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