As Idéias e o Concreto: O Quebra-Cabeça da Implementação de Estratégias

Anteontem pela manhã, tive uma conversa interessante com um amigo, que é o aposentado que eu conheço, que mais trabalha! Newton não para, trabalha com energia e paixão impressionantes. Viaja pelo Brasil todo, participa de várias associações de classe e empreende. Ele se queixava que sempre foi um executivo do concreto, que fazia acontecer. E foi muito bem sucedido na sua carreira. Quando se aposentou, logo surgiram os convites para novos desafios em posições que demandam a identificação de tendências futuras e a reflexão das estratégias e políticas públicas necessárias para enfrentar tais cenários. Ou seja, Newton, numa primeira leitura, se queixava de sair do “mundo do concreto” para ir ao “mundo das idéias”.

Ao ouvir suas queixas, eu ponderei que a união de sua experiência  do concreto com a reflexão estratégica e política é muito poderosa. Não é à toa que o mercado percebeu isso rapidamente e surgiram tantos convites. Ao conceber uma estratégia ou propor uma política pública, Newton é capaz de enxergar as dificuldades de sua implementação em níveis de detalhes e realismo singulares.

Por coincidência, este fim de semana, eu e minha esposa terminamos de montar um quebra-cabeça de mil peças do famoso quadro “O Beijo” de Gustav Klimpt, cuja foto original reproduzo abaixo.

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De propósito, selecionei uma imagem de baixa resolução, que é uma ótima metáfora do que é a concepção e reflexão estratégica. Não há certezas quando pensamos sobre o futuro. É cenário. Mas, sem este cenário, é impossível montar o quebra-cabeça do mundo concreto, da implementação da estratégia:

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Montar um quebra-cabeça é descobrir os detalhes, as nuances das cores e formas de cada peça, como e onde ela pode se encaixar nas outras. Assim é no mundo concreto da implementação de estratégias: selecionar as pessoas certas para cada processo, cada posição de liderança, e constatar se a pessoa se “encaixou” as suas funções e responsabilidades. Se não se “encaixou”, a pessoa tem de ser realocada até seu lugar apropriado. E assim se forma o todo concreto. A imagem (a idéia) do quadro, ou o “big picture” como diz os americanos, é um guia valioso, indispensável, mas montar o quebra-cabeça é um desafio de outra natureza.

Um abraço,

Eduardo

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

Uma resposta to “As Idéias e o Concreto: O Quebra-Cabeça da Implementação de Estratégias”

  1. Excelente reflexão, Eduardo!
    Obrigado.

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