Recortes do Caos: Setor Elétrico

Estou participando do 12o. ENASE (Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico) no RJ. É a quarta vez que tenho a oportunidade de participar deste que é o maior evento de discussão e reflexão sobre o setor. Mas, desta vez, fiquei desolado.

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Segue aqui alguns recortes que podem explicar minha desolação:

  • Pesquisa de opinião entre os cerca de 700 participantes. Perguntou-se: o setor esta equilibrado? A resposta: para 90% o setor esta “desequilibrado”.
  • Mais uma pergunta: qual a probabilidade do Br. ter problema de abastecimento no horizonte 2015/16? Resposta: “48% alta, 38% médio” (no ano passado o resultado da pesquisa foi o mesmo). Para 38%, o risco do apagão diminuiu! Essa poderia ser uma boa notícia, mas a questão é que o risco pode ter caído porque a economia esta desacelerando. A redução da carga para maio foi de 5,3% .
  • Outra: o preço da energia esta… Resposta: “46% extremamente alto, 36% alto.” Não temos racionamento oficial, mas a redução de carga reflete o efeito da energia mais cara do mundo! 
  • Como o setor pode estar em desequilíbrio e as tarifas estarem altas? Problema é mais complexo do que a crise hidrológica…
  • Falta de chuva ou falta de planejamento?” Desde 2004, há ausência de planejamento de Longo Prazo. Improviso e visão de Curto Prazo com foco na eleição e não na sustentabilidade do setor.
  • Insegurança jurídica / jurisprudência = “No Brasil, pelo menos o passado deveria ser previsível.”

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  • Os problemas do setor foram criados pelo próprio setor elétrico. Soluções são casuísticas e não estruturais. Em alguns anos, podemos chegar a uma situação inusitada: se os novos projetos entrarem em operação, o preço da energia vai cair no atacado e aumentar no varejo para pagar a conta do financiamento que foi feito no passado!
  • Consumidor não consegue gerenciar o risco hidrológico, mas quem paga por este risco é ele!
  • Desafios: atrasos na geração e transmissão, seca, descontratação das distribuidoras (exposição ao risco do Mercado de Curto Prazo), elevação dos preços, crédito escasso.
  • Três catalisadores para mudança: 1) resgatar credibilidade do setor; 2) financiabilidade (“acabou o dinheiro…” não só ao elétrico, mas a todas as concessões); 3) tecnologia (trazer o consumidor para dentro do mercado = geração distribuída + Smart grid).
  • A Neoenergia, depois da Eletrobrás, foi a que mais agregou MW ao sistema, sem nenhum atraso. Um projeto para ser financiado tem de ser um bom projeto. Um bom projeto tem riscos e incertezas mensuráveis.
  • Em uma rodada com potenciais investidores estrangeiros, o recado foi claro. Para investir é preciso ter: 1) clareza sobre o tarefo risco / retorno; 2) segurança jurídica; 3) governança corporativa. Hoje, no Brasil nós não temos estes três requisito! “Por que investir em um setor tão complicado?”

A única notícia boa do EANSE até agora é que parece haver uma unanimidade, inclusive com o Governo: todos reconhecem que o setor esta “doente”. Não é mais possível discutir soluções individuais, caso contrário, todos vamos perder.

Amanhã tem mais… Há muito trabalho pela frente!

Um abraço,

Eduardo

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

Uma resposta to “Recortes do Caos: Setor Elétrico”

  1. Excelente resumo!!!
    Realmente tem muito trabalho para colocar este setor no lugar!!!

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