Por que ser Professor?

“Feliz é aquele que transfere o que sabe
e aprende o que ensina.”

Cora Coralina

“A sabedoria consiste, exatamente, na intima aliança
entre conhecimento e valores”.

Aleksandra Kornhauser 

Outro dia, vi uma estatística dos recém formados em uma escola de negócios que leciono: 97% dos alunos “inseridos no mercado de trabalho”. Destes, 90% estão em empresas privadas, 5% são empreendedores e 5% optaram por careira acadêmica. Curiosamente, o percentual de alunos que decidem empreender é igual àqueles que optam pela carreira acadêmica. Há algo de comum entre empreender e construir uma carreira acadêmica (ensino + pesquisa): o investimento de longo prazo, a concorrência, o risco, o custo de oportunidade. Como fazer melhor por ser diferente?

Num país que não valoriza o professor, é particularmente desafiador sê-lo, já relatado neste blog anteriormente. A clássica piada é um símbolo deste desdém: “você é professor? Mas, você trabalha também?” Como se educar alguém, ensinar alguém a pensar, transmitir informações e valores, não fosse um trabalho. E como dá trabalho… Especialmente no mundo de hoje onde não se valoriza o esforço, a disciplina, mas sim os ícones do sucesso rápido e aparentemente sem muito esforço.

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No meu percurso, fiz uma aposta: investir em duas carreiras ao mesmo tempo acreditando que elas se complementariam. A carreira de consultor na iniciativa privada e de professor / pesquisador. Muito trabalho com uma crença: articular a teoria com a prática e vice-versa. Transmitir essa articulação aos alunos e clientes.

Feedbacks sobre a eficácia dessa aposta são raros, especialmente por parte dos alunos. Fico com a impressão que para muitos de meus alunos, eu sou um chato que dá trabalho, notas baixas e reprovações. Entretanto, recentemente tive dois feedbacks incríveis, um inclusive por email que transcrevo abaixo:

“Olá professor Eduardo, tudo bem?

Me senti na obrigação de encaminhar esse e-mail agradecendo todos os conhecimentos que você me passou nas oito aulas de análise econômico-financeira de empresas que tivemos nos últimos dois meses.

Poucas disciplinas foram tão bem ministradas quanto a sua.

O foco na aplicabilidade dos conceitos e a sua dedicação aos alunos tornaram a disciplina muito mais útil e agradável.

Obrigado.

Abs.

Bruno”

Outro feedback verbal veio de uma aluna que reprovei há um ano e esta refazendo meu curso. Eu me lembrava vagamente dela, mas no nosso reencontro ela me fez lembrar que eu havia dado zero para ela e seu colegas num trabalho em grupo. Ela não estava ressentida, mas eu tomei um susto com a recordação. Para meu espanto e satisfação ela me disse que apesar do zero havia aprendido muito com o trabalho, que posteriormente lhe ajudou a tirar dez no seu TCC.

Agora eu quero dar um feedback para meus alunos. Eles não tem dimensão de como suas perguntas me alimentam! De como eu aprendo com eles. De quanta inspiração para escrever, estudar foi renovada durante as aulas. De como eles me fazem lembrar a importância da humildade cada vez que eu me deparo com minhas limitações, meus erros. Afinal, acredito que o bom professor nunca deixa de ser aluno.

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Muito obrigado.

Um abraço!

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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