O que é uma é Startup?

“Startup” é um destes termos que viram moda e como tal geram muitas confusões. Há tempos venho querendo estudar o tema e eis que surgiu uma oportunidade com o livro do famoso Peter Thiel (“Zero to One: Notes on Startups, or How to Build the Future”, ou em português: “De zero a um: o que aprender sobre empreendedorismo com o Vale do Silício”), baseado em um curso ministrado na Universidade de Stanford. Thiel acumula histórias de investimentos de sucesso em startups, como o Facebook, LinkedIn, Airbnb, PayPal e outros.

Mas, antes de mergulhar em histórias, primeiro é preciso entender: o que é uma startup? Em uma forma ampla, Thiel define startup como “o maior grupo de pessoas que você pode convencer de um plano para construir um futuro diferente. O principal força de uma nova empresa é pensar o novo (…) é questionar idéias pré concebidas para repensar o negócio do zero” (págs. 10 e 11). O novo é sair do “zero para o um”, fazer um produto ou prestar um serviço que não existia antes.

A princípio, por esta definição, startups podem nascer dentro de empresas já existentes, desde que haja espaço na burocracia interna para o novo, que implica em assumir novos riscos, sair da zona de conforto.

A princípio também, startup não se refere apenas à empresas relacionadas à internet, mas qualquer outro setor onde haja espaço para o novo. Mas, há um aspecto comum: para se fazer o novo é preciso haver uma nova tecnologia. Tecnologia entendida como “fazer algo novo e melhor” (pág. 8).

Não é a toa que startup é um tema tão fascinante, apaixonante, e… antigo. A palavra é nova, mas o conceito de inovação não, pois uma startup é antes de tudo uma inovação. Talvez, o novo seja a internet e seus jovens bilionários.

Podemos abordar o tema startup sobre vários ângulos: inovação, empreendedorismo, tecnologia, estratégia, geração (destruição) de valor, mercado de capitais, bolhas, ganância, etc.. Neste post, quero fazer uma breve abordagem ao tema estratégia / gestão do crescimento. Sobre o estouro da bolha da Internet (Setembro 1998 a Março 2000), Thiel resume quatro grandes lições (págs. 20/21):

1) Faça avanços incrementais. Ou seja, não almeje grandes revoluções. Seja humilde. Busque conquistar pequenos “degraus”, seguros, crescentes em busca de um objetivo maior.

2) Mantenha-se enxuto e flexível. “Enxuto” aqui no sentido de sem planejamento, pois planejar traz inflexibilidade e arrogância. Ou seja, experimente, mude quando for necessário.

3) Diferencie-se da concorrência. Não tente criar um novo mercado prematuramente. O único jeito de saber se seu negócio é realmente factível é começar com clientes que já existem. Ou seja, construir a empresa melhorando produtos que já existem oferecidos por concorrentes bem sucedidos. Facebook, por exemplo, fez isso.

4) Foque em produtos, não vendas. Se seu produto precisa de publicidade, então ele não é bom o bastante: tecnologia é primeiro sobre desenvolvimento de produto, não distribuição. O único crescimento sustentável é o crescimento viral.

Essas foram as grandes quatro lições da bolha de 1999. Mas,… como Peter ressaltou, suas antíteses também podem ser ainda mais corretas:

1) É melhor ser ousado do que trivial

2) Um plano ruim é melhor do que nenhum plano

3) Competição destrói lucros

4) Vendas importam tanto quanto produtos

Uau! Então, o que é certo e errado fazer? Uma coisa é certa:

“Ninguém pode prever o futuro exatamente, mas nós sabemos duas coisas: será diferente, e suas raízes nascem no mundo de hoje.” (pág. 6) 

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Bem vindo as fortes emoções de empreender!!!

Um abraço,

Eduardo

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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  1. Invista em projetos com VPL negativo! | Reflexões sobre valor - 21 de Janeiro de 2016

    […] de venture capital, o Founders Fund, no Vale do Silício. Thiel é um bem sucedido investidor em startups como Pay-Pal, Facebook, Airbnb, LinkedIn, e […]

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