Lições do Facebook: como (não) formar uma sociedade

A história do Facebook é fascinante por vários aspectos: estratégia, marketing, tecnologia, valorização financeira,…. Agora, vou focar em um deles: a formação da sociedade liderada por Mark Zuckerberg. O que fazer e o que não fazer. Minha fonte? O filme “Rede Social”, que recomendo assistir.

Assisti o filme algumas vezes, e confesso que até esta última vez, sempre fiquei com raiva do Mark por ter traído seu co-fundador, sócio e filhos de brasileiros, Eduardo Saverin. Mas, mudei de idéia.

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O filme começa no fim de 2003, quando Mark estava no segundo ano da gradução. Um gênio com sérias dificuldades de relacionamento social. Um “nerd” total. A vida de Mark começa a mudar quando recebe um convite dos Winklevoss, campões de remo de Harvard. Os irmãos gêmeos, altos e belos, ricos e devidamente arrogantes, fizeram um convite “irrecusável”: Mark escrevia os códigos de um novo site exclusivo de relacionamentos, o Harvard Connection. O local do convite dizia muito sobre a intenção dos irmãos: as escadas de entrada do exclusivo clube da elite dos estudantes de Harvard, The Porcellian (fundado em 1791). Como não era membro, Mark não podia passar da escada. Ao fazer o convite, os irmão não ofereceram dinheiro nem ações, somente a chance de Mark se redimir socialmente. Ou seja, Mark iria trabalhar muito pela honra de trabalhar para a elite WASP de Harvard.

Mark poderia ter recusado, pego a idéia e feito o Facebook. Mas, não. Pegou enrolou os irmãos por semanas, até lançar sozinho (ou melhor, com a ajuda financeira de seu melhor amigo, Eduardo Saverin) o Facebook.

Era a vingança do nerd contra a elite arrogante. Lhe custou US$ 65 milhões (indenização paga após os Winklevoss processarem Mark por roubar sua idéia), mas relativamente foi pouco em relação ao valor do Facebook.

Mas, não foi só os gêmeos que Mark “traiu”. Traiu também seu melhor amigo, diretor financeiro (CFO) e co-fundador, Saverin. Mas, será que foi mesmo traição?

Enquanto Mark e seus outros sócios estavam na Califórnia fazendo o Facebook crescer, Saverin foi para Nova Iorque buscar contratos com empresas de publicidade que pudesse patrocinar o novo site. Mas, não era isso que Mark queria. Ele disse à Eduardo algumas vezes, que não era hora de colocar anúncios publicitários no site. Eduardo não ouviu. Em contrapartida, o astuto Sean Parker, novo sódio do site, adotou uma outra estratégia para fazer o Facebook crescer: conseguiu que um fundo de investimentos (o Case Equity de Peter Thiel) injetasse US$ 500 mil no capital da empresa. Em troca deste dinheiro, de conexões no mercado financeiro e know how, Peter Thiel recebeu 7% das ações do Facebook (que no IPO valeriam US$ 70 milhões).

Eduardo foi co-fundador e amigo, mas uma empresa emergente no mundo da internet precisa mais do que isso. Precisa de dedicação intensa para fazer acontecer e boas idéias para captar recursos. Eduardo não conseguiu entender isso e ficou para traz. Nenhum dos outros sócios fundadores foram diluídos (ou “traídos”), pois estavam todos focados na empresa.

Essa estória contemporânea, que se decorreu na velocidade das novas tecnologias e mercados, ilustra um aspecto importante da geração (ou destruição) de valor em empresas: o alinhamento dos sócios. No Facebook não havia tempo a perder. Era preciso agir muito rápido. Ao ficar três meses (apenas 90 dias) em Nova Iorque, Eduardo se desalinhou e foi diluído na sociedade para dar lugar a um outro fundo de investimentos (o Clarium Capital).

O alinhamento dos sócios é uma das grandes lições do caso Facebook para todas as outras empresas, de internet ou não. Nos Estados Unidos ou em qualquer outros país.

 

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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