“Incerteza paralisa?” Infelizmente não.

Outro dia, ouvi de um renomado economista e empresário uma frase que parece resumir bem o que vivemos hoje na economia brasileira: “incerteza paralisa”. Pensando bem, a situação é pior. Incerteza não só paralisa, como degrada.

Os sinais estão por todos os lugares. Alguns exemplos:

  • no último leilão de linhas de transmissão, dos 12 lotes licitados, 4 foram outorgados. Linhas de transmissão é um ativo essencial para a segurança e otimização do nosso sistema elétrico.
  • O desastre ecológico de Mariana e o que isso representa para o setor de mineração no Brasil .
  • O número de empresas pedindo recuperação judicial esta aumentando.
  • O número de transações de Fusões e Aquisições em queda.
  • Vendas dos supermercado também em queda (ou seja, a venda de alimentos está caindo).
  • Inadimplência de famílias e empresas impactando os bancos e suas disposições para oferecer novos créditos.
  • O fechamento da editora Cosac-Naifi.
  • Além da queda do PIB em diversos setores, do aedes aegypti (aēdēs do grego “odioso” e ægypti do latim “do Egipto”), crack…

Acredito que em poucas semanas, teremos mais uma péssima notícia: a perda de grau de investimento por uma segunda agência de risco.

Muitos dizem que o que esta comprometendo a retomada do crescimento no Brasil é o desequilíbrio das contas públicas. O Prof. Rocca / CEMEC demonstrou que essa relação não é tão evidente assim. É queda de investimento mesmo. As tais “expectativas”. O investidor só não quer investir: quer desinvestir.

Estamos vivendo um momento de intenso conflito social. O governo não consegue cortar despesas e quer passar a conta para o contribuinte e consumidor. O fabricante quer passar aumentos de custos para o varejo, e o varejo para o consumidor. Conflito social intenso tem uma consequência nefasta na economia: inflação. E inflação é a pedra de cal na decisão de investimentos.

Não chegamos no fundo do poço ainda. Teremos um 2016 ainda pior do que já foi 2015.

O que fazer diante destas perspectivas? Esta é a questão crucial.

Não sei a resposta. Só sei que a resposta não é paralisar. Não é degradar. A resposta envolve ações para preservar o ser humano, o país. Investir na ética.

Mas, o que é ética? Fui olhar na internet e achei, por exemplo, “princípios superiores”. Não gosto desta idéia de superior x inferior, pois isso remete ao maniqueísmo que domina nossa política podre atual. Mas, achei outra palavra associada com ética que gostei mais: “desambiguação”. Me parece mais apropriado. Chega de falácias, de distorções lógicas. Voltemos ao simples. Quais são os valores que queremos para nossas vidas, famílias e nossa sociedade? Educação, saúde, segurança, acesso à oportunidades, objetividade e estabilidade de regras contratuais, transparência no uso dos recursos públicos? Ou escolhemos a degradação econômica, social, moral?

Com ética, respeito ao ser humano e ao país, acredito que acharemos a(s) resposta(s) necessárias.

13869607.pic40

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

No comments yet... Be the first to leave a reply!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: