Os inusitados caminhos das boas idéias

Ontem, tive o prazer de almoçar com colegas professores e jovens doutores da USP. Restaurante por quilo. Sem pretensões, acabei tendo uma aula sobre como se desenvolvem as boas idéias em quatro relatos ocasionais:

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  1. uma pesquisadora brasileira em Teoria dos Jogos, reconhecida internacionalmente, escreveu um artigo há 20 anos que foi recentemente analisado em um artigo de um professor americano. Ela teria se surpreendido com o artigo, pois o americano conseguiu formular e explicar a questão muito melhor do que ela havia escrito. Ele teria entendido o artigo dela melhor do que a própria autora.
  2. Uma peça fundamental na fórmula de Black & Scholes para prefaciar opções financeiras, que rendeu o prêmio Nobel aos seus autores, foi descoberta numa partida de tênis. Um dos autores comentou o problema que estudava ao seu adversário no jogo, um físico, que sugeriu uma abordagem usada na Física. Eureca!
  3. Um matemático israelense que gostava de economia, frequentava congressos e convidava economistas para tomar um chá. Durante estes chás, o matemática anunciava: “eu tenho uma equação nova” (I have a new equation). Num guardanapo escrevia a equação e logo algum economista perguntava: “para que serve?”. O matemático respondia: “diga-me você.” (You tell me). E assim, a partir de uma rodada de chá, a equação começava “a se vestir” na economia pra formalizar e explicar fenômenos incompreendidos.
  4. Um colega relatou que passou um ano sabático na Universidade de Princeton. Longe do dia-a-dia da USP e das consultoria conseguiu progredir em 22 artigos que há anos havia começado. Publicou dois artigos em co-autoria com o professor (“host”) que o acolheu em Princeton.

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O que estes quatro relatos parecem ter em comum? Compartilhar conhecimento (inclusive com publicações), interdisciplinaridade, cooperação (inclusive internacional), tempo de elaboração. No mundo em que somos cobrados por produtividade, foco, essas palavras soam como “ruídos” indesejados, ou um pneu furado, uma correia quebrada, uma engrenagem sem lubrificação.

Você, na sua empresa, tem tempo para tomar um chá com colegas de outros departamentos? E com colegas de outras empresas no Brasil e no exterior, concorrentes ou não? Tem tempo para ir a um congresso? A um seminário internacional? Quem sabe uma simples xícara de chá pode ser o começo da resolução do seu problema?

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About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

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