O que é elasticidade e como ela afeta as nossas vidas

Talvez você nunca tenha ouvido falar no conceito econômico de elasticidade, mas ela afeta, e muito, a sua vida. Como consumidor, a elasticidade afeta seu bem estar, sua capacidade de consumir (e de poupar) e até sua saúde. Como empresário, a elasticidade afeta seu lucro (ou prejuízo) de hoje e o de amanhã. Afeta também seus planos para investir e crescer ou para fechar sua empresa e mudar de ramo.

china-daily-life_fran

Em economia, genericamente, elasticidade mede a sensibilidade da reação de um agente frente a mudanças em um parâmetro crítico de decisão. Por exemplo, a “elasticidade-preço da demanda” mede quão sensível é o consumidor a um aumento de preço na carne bovina, por exemplo. Se o preço aumentar 10%, por exemplo, é provável que o consumidor reduzirá a quantidade de carne que comprará. Mas, quanto? Consumidores muito sensíveis, poderão reduzir seu consumo em mais do que 10%. São consumidores com alta elasticidade, possivelmente porque possuem menos dinheiro para comprar alimentos.

Por outro lado, há também consumidores menos sensíveis, que reduziriam seu consumo de carne em 5%, por exemplo. Estes tem uma baixa elasticidade preço. Sua demanda é dita inelástica. Para as empresas, estes são os melhores consumidores, pois permitem aumentos de preço sem a necessária perda de lucros. As empresas estão sempre à busca de estratégias dedicadas a atrair e reter este tipo de consumidor para seus produtos.

O que determina a elasticidade da demanda. São três fatores:

  1. Quão necessário é o bem. Por exemplo, um viciado em heroína não conseguirá consumir menos, se o seu preço aumentar. O poder de viciar o consumidor gera a inelasticidade da sua demanda.
  2. A existência de bens substitutos. No exemplo da carne bovina, se o preço aumenta, o consumidor, mais sensível à preços, pode deixar de comer carne para comer frango ou suíno.
  3. Do peso do consumo do bem no orçamento do consumidor. Por exemplo, o sal é relativamente barato, é necessário e possui poucos substitutos. Como tal, a demanda por sal é pouco sensível aos aumentos de preços (demanda inelástica).

Estratégias de marketing para promover marcas, por exemplo, tentam reduzir a elasticidade dos seus consumidores tentando convence-los que seus produtos são essenciais e são únicos (não possuem substitutos).

shaolin5

Um aspecto interessante da elasticidade preço da demanda é que ela pode aumentar com o tempo. Isso é muito importante para o consumidor. Por exemplo, por causa do surto da dengue-zica-chicungunha, o preço do repelente aumentou muito, por vezes de forma abusiva. Num primeiro momento, os consumidores assustados (especialmente, mulheres grávidas) tiveram de pagar caro, pois não havia alternativas. Neste momento, a elasticidade da demanda é baixa. Mas, com o tempo, a outros produtores entraram no mercado, surgiram receitas caseiras de repelentes e outras estratégias de proteção como o uso de telas, inseticidas, etc. Ou seja, com o tempo, a própria concorrência direta e indireta trouxe alternativas e a elasticidade começou a aumentar.

A Shaolin monk poses for a photograph in Chinatown on February 23, 2015 in London, England. The monks practice Shaolin Kung Fu which is believed to be the oldest institutionalised style of kung fu and are demonstrating their skills while in the UK. (Carl Court/Getty Images)

A Shaolin monk poses for a photograph in Chinatown on February 23, 2015 in London, England. The monks practice Shaolin Kung Fu which is believed to be the oldest institutionalised style of kung fu and are demonstrating their skills while in the UK. (Carl Court/Getty Images)

A indústria de telefonia móvel é um outro exemplo interessante. O celular passou a ser praticamente um item de primeira necessidade para milhares de consumidores, que num primeiro momento estavam cativos em cinco grande operadoras (TIM, Claro, Vivo, Oi, Nextel). A conta de celular começou a pesar no bolso. O consumidor e os concorrentes (diretos e indiretos) buscaram criar alternativas. Primeiro, vieram os SMS, que antes tinham tarifas imperceptíveis. Quando as operadoras perceberam o aumento do uso do SMS, começar a aumentar tarifas. Depois, vieram os celulares com mais de um chip para explorar o nicho que ligações gratuitas entre mesmas operadoras. Até que finalmente veio um golpe contundente do WhatsApp e seus similares.

Nesta trama envolvendo a elasticidade, concorrência e as necessidades humanas, o capitalismo pode criar soluções inovadoras. A internet veio criar uma nova infraestrutura para possibilitar ainda mais a criação de bens e serviços substitutos. Daí vem o Uber (transporte), Airbnb (hospedagem), Mercado Livre (produtos usados),.. Além de gerar mais competição nos mercados, estas inovações abrem acesso à certos grupos de consumidores mais sensíveis à preço à bens e serviços que antes eles não poderiam consumir. Da mesma maneira, estas inovações criam novos empregos (e destroem outros também nas empresas que não se adaptarem as novas elasticidades).

Um abraço,

Eduardo

About Eduardo Luzio

Economista pela USP (88) e PhD pela PhD University of Illinois (93). Consultor em finanças corporativas e estratégia. Professor de finanças na FEA-USP, FGV -SP e Insper.

No comments yet... Be the first to leave a reply!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: